Quarta-feira,
dia 04 de Setembro de 2013
A
devoção para com Nossa Senhora Consolata (ou Consoladora dos Aflitos) surgiu em
Turim (norte da Itália), na metade do século V. Segundo uma tradição alicerçada
em sólidos fundamentos, o quadro de Nossa Senhora Consolata foi trazido da
Palestina por Santo Eusébio, Bispo de Vercelli, que o doou a São Máximo, Bispo
de Turim. São Máximo, por sua vez, no ano 440, expôs o quadro à veneração dos
fiéis de Turim, num altarzinho erguido no interior da igreja do Apóstolo Santo
André.
O
povo, a convite do seu Bispo, começou a venerar a efígie daquele quadro com
grande fé e devoção. E Maria começou a distribuir muitas graças, inclusive
graças extraordinárias, sobretudo em favor das pessoas doentes e sofredoras.
Sensibilizados com o amor misericordioso da Virgem Maria, o Bispo e o povo
começaram então a invocá-la com os títulos de “Mãe das Consolações”,
“Consoladora dos Aflitos”, e “Consolata” (Consolata é a forma popular de
Consoladora).
O
quadro de Nossa Senhora Consolata permaneceu exposto à veneração dos fiéis sem
sofrer nenhum transtorno, durante quatro séculos consecutivos.
Por
volta do ano 820 penetrou na cidade de Turim a funesta heresia dos iconoclastas
(pessoas que quebravam e destruíam toda e qualquer imagem ou quadro religioso
expostos ao culto). Em tal circunstância, temendo que o quadro da Consolata
fosse destruído, os religiosos que tomavam conta da igreja de Santo André
resolveram tirá-lo do altar do oratório e escondê-lo nos subterrâneos da
igreja, esperando que passasse a onde devastadora dos iconoclastas. Mas a
perseguição se prolongou por longos anos. As pessoas que haviam escondido o
quadro morreram sem revelar o lugar do seu esconderijo. Assim, o quadro ficou
desaparecido pelo espaço de um século. Este facto fez com que os fiéis
deixassem de frequentar o oratório e perdessem, aos poucos, a lembrança da
Virgem Consoladora.
Mas
a Divina Providência velava. No ano 1014, Nossa Senhora apareceu a Arduíno,
Marquês de Ivréia, gravemente enfermo, e pediu-lhe que construísse três capelas
em sua honra: uma em Belmonte, outra em Crea e a terceira em Turim, esta última
junto às ruínas da antiga igreja de Santo André, cuja torre ainda permanecia de
pé. O Marquês Arduíno milagrosamente curado por Nossa Senhora, logo mandou construir
as três capelas.
Ao
fazerem as escavações para os alicerces da capela de Turim, os operários
encontraram no meio dos escombros o quadro de Nossa Senhora Consolata, ainda
intacto, apesar de ser uma pintura em tela. O facto encheu de alegria a população
da cidade e a devoção à Mãe das Consolações renasceu mais forte que antes.
Parecia que nunca mais se apagaria, mas não foi assim.
As
numerosas guerras, as frequentes epidemias que assolavam a região, as invasões,
etc., fizeram que muitos habitantes de Turim abandonassem a cidade; com tal
situação, a igreja de Santo André e a capela de Nossa Senhora Consolata foram
desmoronando aos poucos e tudo acabou novamente num monte de escombros. E o
quadro da Consolata, mais uma vez, ficou mergulhado nas ruínas pelo espaço de
80 anos...
Deus
intervém de novo, e de forma extraordinária. Em 1104 um cego de Briançon
(pequena cidade da França), chamado João Ravache, teve uma visão de Nossa
Senhora; a Virgem Maria prometeu devolver-lhe a luz dos olhos se fosse a Turim
visitar a sua capela que jazia em ruínas... Lutando contra muitas dificuldades
o cego chegou a Turim. O Bispo da cidade, Mainardo, acolheu e ouviu o cego;
ciente de que se tratava de um facto real, mandou fazer as escavações no local
mencionado pelo cego, de acordo com a indicação que Nossa Senhora lhe dera
durante a visão. No dia 20 de Julho de 1104, o quadro da Consolata foi
reencontrado sob as ruínas, ainda intacto. O cego, conduzido à presença do
quadro, recuperou instantaneamente a vista. O numeroso povo que presenciara ao
fato rompeu em brados de alegria. O Bispo Mainardo, comovido, ergueu repetidas
vezes esta invocação a Nossa Senhora: “Rogai por nós, Virgem Consoladora!” E o
povo respondeu: “Intercedei pelo vosso povo!”
Este
episódio consolidou na alma do povo de Turim a devoção para com Nossa Senhora
Consolata. A profunda confiança dos fiéis na poderosa protecção da Mãe das
Consolações foi sobejamente premiada ao longo dos séculos.
Hoje,
depois de 15 séculos, no local do primeiro oratório, surge o devoto santuário
da Consolata, que se tornou o coração mariano de todo o norte da Itália. Foi
junto àquele santuário que, no primeiro decénio do século XX, o Beato José
Allamano fundou o Instituto dos Missionários e das Missionárias da Consolata.
Actualmente, a devoção de Nossa Senhora Consolata é conhecida em muitos países
de vários continentes.
* texto e imagem do Evangelho quotidiano.

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