Jesus
entrou na sua vida e transformou-o de perseguidor em apóstolo. Este encontro
marcou o início da sua missão: Paulo não podia continuar a viver como antes;
sentia-se agora investido pelo Senhor do encargo de anunciar o seu Evangelho na
qualidade de apóstolo. É precisamente desta nova condição de vida, ou seja, de
ser apóstolo de Cristo, que quero falar. Nós normalmente, seguindo os
Evangelhos, identificamos os Doze com o título de apóstolos, para indicar
aqueles que eram companheiros de vida e ouvintes dos ensinamentos de Jesus. Mas
também Paulo se sente verdadeiro apóstolo e parece claro, portanto, que o
conceito paulino de apostolado não se restringe ao grupo dos Doze.
Obviamente,
Paulo sabe distinguir o seu próprio caso do daqueles “que tinham sido apóstolos
anteriores” a ele (Gálatas 1, 17), reconhecendo-lhes um
lugar totalmente especial na vida da Igreja. Contudo, como todos sabem, também
São Paulo se considera como apóstolo em sentido estrito. É certo que, na época
das origens cristãs, ninguém percorreu tantos quilómetros como ele, por terra e
pelo mar, com o único objectivo de anunciar o Evangelho.
Segundo
a concepção de São Paulo, o que é que faz que ele e os demais sejam apóstolos?
Nas suas cartas aparecem três características principais que constituem o
apóstolo. A primeira é “ter visto o Senhor” (cf. 1 Cor 9, 1), ou seja, ter tido
com Ele um encontro determinante para a própria vida. Analogamente, na Carta
aos Gálatas (cf. 1, 15-16), dirá que foi chamado, quase seleccionado, por graça
de Deus, com a revelação do seu Filho frente ao anúncio aos pagãos. Em
definitivo, é o Senhor que constitui o apóstolo, não a própria presunção. O
apóstolo não se faz a si mesmo, mas o Senhor é que o faz; portanto ele precisa
de se referir constantemente ao Senhor. Não é por acaso que Paulo diz ser
“apóstolo por vocação” (Rm 1,1), ou seja, “não da parte dos homens nem por
mediação de homem algum, mas por Jesus Cristo e Deus Pai” (Gl 1,1). Esta é a
característica: ter visto o Senhor, ter sido chamado por Ele.
A
segunda característica é a de “ter sido enviado”. O termo grego apóstolos significa
precisamente “enviado, mandado”, ou seja, embaixador e portador de uma
mensagem; deve actuar, portanto, como encarregado e representante de um
mandante. Por isso Paulo define-se como “apóstolo de Jesus Cristo” (1 Cor 1, 1;
2 Cor 1,1), ou seja, delegado seu, posto totalmente ao seu serviço, até ao
ponto de chamar-se “servo de Jesus Cristo” (Rm 1,1). Mais uma vez aparece em
primeiro plano a ideia de uma iniciativa de outro, a de Deus em Jesus Cristo, à
qual se está plenamente obrigado; mas sobretudo sublinha o facto de que se
recebeu uma missão da parte d’Ele que é preciso cumprir em seu nome, pondo
absolutamente em segundo plano qualquer interesse pessoal.
O
terceiro requisito é o exercício do “anúncio do Evangelho”, com a consequente
fundação de igrejas. Por conseguinte “Apóstolo” não é e não pode ser um título
honorífico, mas empenha concreta e dramaticamente a existência do sujeito
interessado. Na 1ª Carta aos Coríntios, Paulo exclama: “Não sou eu apóstolo?
Acaso não vi Jesus, Senhor nosso? Não sois vós minha obra no Senhor?” (9, 1).
Analogamente, na 2ª Carta aos Coríntios, afirma: “Vós sois a nossa carta...,
sois uma carta de Cristo, redigida por ministério nosso, escrita não com tinta,
mas com o Espírito de Deus vivo” (3, 2-3).
Excerto retirado do texto da Audiência
Geral de 10.09.2008
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