A
propósito do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades
Portuguesas, publicamos um excerto da obra Portugal
e os Portugueses de D. Manuel Clemente.
«É habitual insistir-se na nossa infinita capacidade
de adaptação, seja aonde for. Pergunto-me se não se trata antes do contrário.
Se não devíamos falar até da impossibilidade de deixarmos de ser quem somos,
tal a densidade interior que acumulámos. Não temos de nos adaptar por aí além,
porque já temos dentro e acumulados os infinitos aléns que nos formaram. Aqui,
neste recanto ocidental do continente, sedimentaram-se, milénio após milénio,
os variados povos que, do Norte de África ou do Leste da Europa, tiveram
forçosamente de parar numa praia que só no século XV se transformou em cais de
embarque. Aqui chegaram outros, que depois vieram e continuam a vir das mais
diversas procedências. Tanta gente em tão pouco espaço só pode espraiar-se numa
geografia universal. Assim foi e assim é.»
(excerto do primeiro capítulo)
…
«Aqui
chegámos, finalmente. Mais como interrogação do que como certeza. Vamos
andando, apesar de tudo. E, muito à portuguesa, «depois se verá». O que também
é já um grande saber de experiência feito.»
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